domingo, 10 de março de 2013

Você banaliza a violência? Faça o teste!


por Nelmara Arbex



Observo as crianças indo sozinhas de bicicleta para a escola. Para mim, em qualquer lugar do mundo, um símbolo de uma sociedade sem violência. Ou quase...

Poucos temas me deixam mais preocupada do que a violência. Em geral. Violência de estado, violência contra mulheres, contra crianças e homens. Tema quente no dia da mulher em todo o mundo. E especialmente penso nos mecanismos que tentam fazer com que todos no's – pobres e ricos – nos acostumemos com ela.  

Quanto desta crescente violência pode mesmo estar ligada com: convivência regular com extrema violência (como e’ o caso de alguns psicopatas, policiais e criminosos) e com a percepção de que não ha’ mais outra saída (como o caso dos terroristas e parte do crime organizado)?  Quantas pessoas – em todo o Brasil – estão nestes grupos? 10 mil? 100 mil pessoas?

Mas também penso nesta massiva comunicação banalizando a violência. E banalizando a punição `a violência.

Não, tortura não e’ normal, como os filmes mostram. Não, estupro não e’ normal (e estes que pensam em argumentar que a mulher provoca ato tão brutal deveriam ser castigados com 50 anos de abstinência). Não, espancar homossexuais não e’ normal. Matar a sangue frio também não e’ normal.  Não, carregar armas não e’ normal e so’ ajuda o vendedor de armas.

Eu me recuso a me acostumar com isto e acho que você também não deveria.   

Você quer saber quanto desta banalização esta’ penetrando no seu cotidiano sem que você “se dê conta”?

Faça o seguinte teste: troque o programa de TV (ou o filminho na internet) se alguém (mulher ou criança ou homem) for humilhado, fisicamente ameaçado, baleado, torturado, abusado, ou tratado de alguma forma violenta. Faça o mesmo se aparecer uma arma de grande ou pequeno porte. Tente este exercício por uma semana ou um mês.

Eu fiz isto e fiquei impressionada e surpresa com o resultado.

Feito o teste, pense: esta' na hora de parar esta banalização? Se a sua resposta for SIM, fique feliz porque esta decisão e’ bem fácil de implementar. Escolha melhor o filme e o programa da TV... e conte para seus amigos.

domingo, 3 de março de 2013

“ A verdade sobre mulheres e chocolate”



por Nelmara Arbex


Com este titulo convidativo e um vídeo provocador a OXFAM quer chamar a atenção das mulheres (e homens) para tomarem a frente de uma campanha global e chamar “na chincha” as maiores produtoras de alimento. 

A campanha e' a reação da OXFAM `a conclusão de um estudo bem feito que mostra que as maiores empresas de alimentos processados não implementam nem um décimo do que dizem  na área ambiental ou social, e claro, as condições de trabalho e geração de renda das pessoas ligadas a estas cadeias de negócios são péssimas.

 Esta' tudo bem explicadinho no site da OXFAM . Voce pode checar o resultado da pesquisa e saber como estas empresas fazem negócios.  Estamos falando da Nestlé, Unilever, Coca-cola, Danone, Keloggs e outras empresas. Todas elas com marcas bem presentes no dia-a-dia do consumidor de supermercados.

A OXFAM foi fundo e preparou um relatório público baseado em analises e fatos reais e conclui que a indústria de alimento e’ aquela que mais poderia trazer benefícios para as pessoas e para o planeta e esta' longe de onde poderia estar... Mas da' para mudar. As soluções são conhecidas, realistas e podem fazer muita diferença para a saúde dos milhões de obesos e para a saúde da sociedade e do planeta.

 Confira! No site pode-se clicar sobre a marca e ver quanto cada uma delas esta' longe de onde deveria. 

No final do estudo (publicado no site) estão 10 propostas de acão imediatas para as empresas. Veja no estudo o mapa do mundo marcando o Brasil como parte importante da cadeia global de alimentos. Quem sera' que esta' pode influenciar o resultado do estudo no Brasil?

Vale a pena mostrar que no Brasil estamos ligados também.
Participe! Conte para seus amigos!

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Brasil sem violência? Va’ ver “The Gatekeepers” !




por Nelmara Arbex


Continuando  a conversa sobre temas difíceis, sobre o  Brasil que queremos.

Domingo frio em Amsterdam. 1:15 da tarde. Fui ao cinema ver um filme/documentário cujo trailer na TV me deixou inquieta. O prédio do cinema e’ novo e lindo (The Eye). O cinema lota com idosos e jovens. Sorte que comprei o ingresso de manhã, não imaginava... 200 pessoas ocupam todas as cadeiras deste cinema a esta hora para assistir “The Gatekeepers”.

Saí do cinema meio bamba, meio sem fala. E chego `a conclusão de que este filme pode ser o filme mais importante do século. Falo sério!

Nele são entrevistados os últimos 6 chefes de segurança do estado de Israel.  Estes são os caras que não são “bonzinhos”, nem “pacifistas”, nem estão pensando "num mundo melhor".  Estes são os caras que – junto com o exercito de Israel (o mais bem armado do planeta) - mantém o jogo rolando. 

O "jogo" e’ manter 4 milhões de palestinos sob controle por 50 anos (eles eram 1 milhão na década de 60 quando tudo isto começou) e por 50 mais pois não ha' outro plano. Isto deve ser feito sem dar-lhes nenhuma esperança de futuro ou de melhorias. Isto e’ feito usando, entre outros artificios, a mais avançada tecnologia para localizar indivíduos perigosos e matá-los cirurgicamente, “via satélite”. Você pode ver tudo isto no filme.

As conclusões destes caras são profundas, simples e impressionantes. Valem para todo cidadão do planeta. E valem muito para quem quer uma sociedade sem violência, tolerante, e que vai ter que achar um jeito pacifico de conviver e dividir os recursos entre todos. 

Podem as atuais guerras e violência – urbanas,  rurais ou de estado - gerar paz?

A resposta destes senhores e’: Não!

Somente a criação de  “confiança mutua por longo período gera paz, e isto não se cria com armas”.

Não perca! O filme e a oportunidade de reflexão que ele oferece para nos brasileiros e o futuro que queremos.

Se você pensa que o futuro deve ser igualitário, desarmado e pacifico, como eu, vamos ter que lidar com a pergunta:  Como vamos conseguir isto? Quem trabalha por isto neste momento? 

Que bom que o cinema estava LOTADO!

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Planos para um Brasil “sustentável”? O tema do blog de 2013.




por Nelmara Arbex


Se você, como eu, é um cidadão comum preocupado com o presente e futuro do país, e se você tem uma coisa dentro de você que diz que ninguém sabe bem onde estamos e para onde vamos, acho que esta na hora de olharmos em volta e descobrir: quem esta definindo os rumos/ a vida no Brasil de hoje e quem esta’ fazendo os planos para o nosso futuro.  

Talvez você, como eu, acha que tem uma idéia de quem toma as decisões hoje. Sera'?
E o modelo que estamos bolando para garantir nosso futuro?
Faça um teste: vá ao Google e escreva “Brasil sustentável”, escolha “textos do último ano” e de uma boa olhada no resultado.

Quem esta decidindo o modelo para um Brasil sustentável? 

CBEDS  e as empresas?


O que você acha? São os temas do seu interesse? Você foi convidado para a conversa? Vai se convidar? Acha que este e’ um tópico para especialistas...? Pense outra vez!

Violência urbana,  qualidade da comida,  energia limpa,  o novo ipad, acesso a educação e lazer,  diversidade religiosa,  consumo, sistemas de transporte,  modelo de crescimento econômico, proteção da biodiversidade,  estruturas de poder e corrupção,  copa do mundo, todos estes são temas para um cidadão e um sociedade sustentável. E eles estão interconectados!

Vamos falar disto?

Ate’ o próximo post!


foto: capa de documento preparado e publicado pela E&Y Brasil em 2010.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

De volta em 2013!




Bubbio: cidade sem transgênicos, no norte da Italia

O que e’ que o Brasil quer ser?

O blog está de volta! Parei em 2012 para pensar em como deverão ser os relatórios de sustentabilidade nos próximos 10 anos (definindo o G4), mas também para dar uma olhada por aí – Austrália, Estados Unidos, Índia, Inglaterra, Adu Dahbi, WEF-Dubai, Rio+20... – e pensar no papel do Brasil neste contexto insustentável.

O Brasil e’ mencionado como um exemplo de país com índice positivo de “desenvolvimento” movido a energia limpa, um país que tem projeto para tirar a população da pobreza e ser uma estrela no céu do mundo da democracia, principalmente depois das últimas grandes decisões contra a corrupção pelo Supremo Tribunal. Mas também e’ considerado violento,  o governo –que deixa uma quantidade incomensurável de armas serem distribuídas pelo país- e os que usam e distribuem estas armas; desrespeitador de direitos humanos de todos –mulheres, indígenas, jovens, cidadãos urbanos; devastador de florestas e  completamente ignorante por não proteger seu potencial de produtor não transgênico. E assim poderia continuar com uma lista de contradições...

“O que e’ que o Brasil que ser?”, me perguntam.

E’ mesmo possível que este país quer somente crescer usando o modelo mais ultrapassado possível? Um modelo “industrial desenvolvimentista”? O modelo do quanto mais se produz e se consome, melhor, mesmo que para isto nos transformemos em terra arrasada ambiental e socialmente?

Quais são as alternativas possíveis? Que papel temos nos cidadãos nesta conversa?

Temas para 2013... 

domingo, 13 de novembro de 2011

Quem define qual o nível de pobreza aceitável `a nossa volta?




por Nelmara Arbex

Com certeza não são os miseráveis que definem o nível mínimo de pobreza e condições de vida aceitável `a nossa volta.  Poucas vezes na história eles o fizeram. São os mais ricos que decidem. São eles/no’s que podem se articular e mover amigos, prefeitos e a câmara para impedir que a as condições de vida dos mais pobres desça a níveis desumanos. Mas eles, os mais ricos, nem sempre o fazem.  Mas quando o fazem, ...o mundo muda...

Acabo de voltar da Índia.  Uma semana cheia. A última vez que estive la’ foi em 2008.  Desta vez no programa estavam Mumbai, Kolkata, Delhi. A agenda cheia de reuniões e eventos sobre relatórios de sustentabilidade e sobre iniciativas governamentais para promover transparência na gestão empresarial indiana.

Impossível  não notar a miséria presente em todas as grandes cidades. E a sujeira também. Muita gente literalmente acampada nas ruas.

Mas Delhi mudou. A cidade se transformou completamente desde 2008. Totalmente limpa.  Quilômetros de canteiros e calcadas pintados e cuidados. As avenidas tem pista demarcada e o eterno buzinar caótico dos carros, contra tuc-tucs, caminhões e animais na contra-mao, quase desapareceu. Crianças, idosos e deficientes aparecem raramente nos sinais pedindo comida ou dinheiro.  Um aeroporto de deixar qualquer um de queixo caído, faz Guarulhos parecer um aeroporto de fazenda.

A cidade conta hoje com cerca de 17 milhões de habitantes. 9% deles – cerca de 1,5 milhão - abaixo da linha da miséria urbana. Muito abaixo. Ainda assim esta’ em muito melhor situação que o resto da Índia, que tem cerca de 27% de seus 1.2 bilhões de habitantes praticamente mendigos.

Os hotéis de luxo são enormes, com restaurantes sofisticados e jardins, pessoas de todo o mundo atravessam os saguões: árabes, chineses, europeus,  de todos os credos e todas as cores. Nestes ambientes tudo cheira a planos, a negócios e a futuro.

O motorista do taxi que me leva ao aeroporto de Delhi me conta que 5 imensos hotéis 5 estrelas estão planejados e devem inaugurar no próximo ano.

Os prédios do governo estão caindo aos pedaços. A poluição continua,  a poeira, o cheiro defumado, matéria orgânica em decomposição e... claro que a pobreza também. Mas a transformação da cidade tem muito a dizer. Principalmente comprova que quando os mais ricos se organizam muito se pode mudar.

Eles se organizaram e decidiram mudar a cara da cidade. Por que isto ajuda eles a ficarem mais ricos. Miséria brotando nas ruas e nas calcadas não e’ bom pra ninguém. Quando vamos no's -paulistas, cariocas, gaúchos, maranhenses, paraenses, mineiros, pernambucanos e tantos outros - os mais ricos decidir mudar o nível mínimo de miséria que vamos aceitar no Brasil?




domingo, 30 de outubro de 2011

Star Wars bem humorado: Volkswagen X Greenpeace!



por Nelmara Arbex

Se você tem um Volkswagen OU adora campanhas bem-boladas OU e’ um fã de guerras nas estrelas OU se importa com o aquecimento global...
Vale a pena dar uma olhada nestes filminhos super sacados da Volkswagen lançando seu carro novo, e nas respostas do Greenpeace. 5 minutos. Uma delícia de “debate”.

O ponto e’ chamar a atenção do consumidor e da sociedade para uma enorme pisada na bola que a empresa esta’ dando: não quer se comprometer com as metas de redução de emissão de CO2.

Fique alerta, boicote e divirta-se! 

domingo, 23 de outubro de 2011

Steve Jobs sabia disto!



Aqui ele esta' dizendo: "Hora de formatar o GRI-G4 de maneira insanamente esperta!"

Me desculpem os seguidores deste blog por tantas semanas de silêncio.  A principal causa e’ o G4. Como muitos dos leitores sabem, trabalho para a Global Reporting Initiative (GRI) e la’ lidero um projeto mundial para re-definir como empresas devem medir e publicar seus impactos sociais e ambientais. As diretrizes que definirão como empresas farão relatórios de sustentabilidade nos próximos 8-10 anos se chamam: G4 (a versão atual em vigor desde 2006 se chama GRI-G3 (G3.1)).

Estas diretrizes são preparadas através de consulta mundial. Sem a opinião de milhares de pessoas de todo o mundo não será possível preparar diretrizes que expressem os interesses dos diversos grupos que querem e precisam saber mais sobre a performance das empresas. E falta ainda muito para chegarmos a um nível de participação adequado... a consulta se encerrara' dia 24 de Novembro, em 4 semanas!

Quando perguntei  na semana passada ao John Elkington* – membro do conselho da GRI- como ele explicaria a importância da participação na formatação do G4, ele disse:

Steve Jobs conhecia o valor de um sistema operacional de qualidade insanamente alta. Isto e’ o que queremos atingir com as diretrizes G4 da GRI. Esta e’ a chance de cada um de garantir que estas diretrizes proponham `as empresas que meçam e publiquem dados que nos ajudem a construir um modelo de desenvolvimento “verde”. Precisamos de toda ajuda possível para conseguir fazer isto de forma correta.

E ai? Que fazer a diferença? Clique aqui!

 O questionário de consulta publica do GRI-G4 está disponível em português, inglês, espanhol, frances e mandarim.

(*) John Elkington e’ um autor de vários livros, fundador de varias organizações e membro de comitês internacionais importantes na área de sustentabilidade. Ele criou o conceito “tripple bottom line (tripe' da sustentabilidade)”, explicitando que as empresas deveriam ter resultado positivo não só’ financeiramente, mas também social e ambientalmente.http://survey01.synovate.nl/mrIWeb/mrIWeb.srf?I.Project=P9450101

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Adoro ciberativismo! Para garantir o “Ficha Limpa” ! Clique já!


por Nelmara Arbex

Avaaz esta’ disseminando a campanha pela lei “Ficha Limpa”, que está ameaçada de desaparecer em 48 horas.

Quem acompanha este blog sabe que eu adoro o Avaaz, que e’ um site de ciberativismo eficiente. Foi através desta plataforma que os brasileiros conseguiram agitar uma campanha para fazer o projeto de lei “Ficha Limpa” chegar a 1,3 milhões de assinaturas que deixou os corruptos e o mundo de boca aberta. Agora o site esta’ alertando todos no's de que ha’ uma ameaça real de que esta proposta de lei seja vetada.

Se você entrar neste link e você vai poder influenciar esta decisão!

Adoro ciberativismo! O que você esta' esperando? Clique Aqui!


PS:

Um lembrete A lei propõe “elevar” o nível dos nossos representantes, e entre outras coisas propõe que não podem se candidatar (clique aqui para conhecer o texto completo):

e) os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, desde a condenação até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena, pelos crimes:

1. contra a economia popular, a fé pública, a administração pública e o patrimônio público;

2. contra o patrimônio privado, o sistema financeiro, o mercado de capitais e os previstos na lei que regula a falência;

3. contra o meio ambiente e a saúde pública;

4. eleitorais, para os quais a lei comine pena privativa de liberdade;

5. de abuso de autoridade, nos casos em que houver condenação à perda do cargo ou à inabilitação para o exercício de função pública;

6. de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores;

7. de tráfico de entorpecentes e drogas afins, racismo, tortura, terrorismo e hediondos;

8. de redução à condição análoga à de escravo;

9. contra a vida e a dignidade sexual; e

10. praticados por organização criminosa, quadrilha ou bando


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Próximos passos na “responsabilidade social“ empresarial ?



por Nelmara Arbex

Já faz algum tempo que existe uma lista de práticas que devem ser consideradas por toda empresa que quer se dizer “responsável”.

No Brasil, desde o inicio dos anos 2000, com a publicação dos “Indicadores Ethos” de responsabilidade social, temos ai’ uma ferramenta básica para o gestor que quiser checar quão responsável sua empresa e’. Claro que a ferramenta-diagnóstico não tem como objetivo apontar soluções praticas e profundas neste campo, mas não deve ser menosprezada já a maior parte das empresas tem muito do “básico” para resolver. Mesmo empresas de grande porte e cheias de recursos ainda tem problemas em assegurar igualdade de oportunidades e salários para homens e mulheres, em apoiar sua rede de fornecedores para também serem implementadores de práticas responsáveis, e nem conseguem parar a destruição ambiental que suas atividades geram.

Assim, pode-se rapidamente entender que a atividade empresarial que esta’ hoje exposta - quase em tempo real - pelos meios de disseminação de informação como a internet, tem claramente mudado mas estas mudanças estão ainda longe de representar uma transformação radical na forma como se faz negócios e se distribui riqueza. Mas talvez o objetivo do movimento pela responsabilidade sócio-ambiental empresarial seja somente este mesmo: elevar o nível da prática empresarial a mínimos aceitáveis e esperados por toda a sociedade.

Bem... apesar de nobre e necessárias, fato e’ que estas melhorias não vão nos levar a uma sociedade onde recursos naturais se regenerem e onde todas as pessoas vivam melhor, com seguranca física, amplo acesso `a educação de qualidade e a serviços de saúde, incluindo todas as camadas da população. Para isto vamos precisar de algo mais.

E’ deste "algo mais" que a última conferência do Instituto Ethos em Agosto e as reuniões que tive em Boston em Junho trataram: qual deveria ser a próxima etapa do movimento de responsabilidade social empresarial?

Na "Conferência do Instituto Ethos - protagonistas de uma nova economia" a resposta foi: vamos discutir como as empresas podem concretamente contribuir para estabelecer uma “nova economia”, cujos pilares são o reconhecimento dos limites dos recursos ambientais, a transformação do conceito de “consumo” e a inclusão de todos que são afetados pelas atividades empresariais. O Instituto Ethos não esta sozinho nesta reflexão. A conferência das Nações Unidas “Rio +20” vem ai’ com bandeira parecida, apoiada pelos inúmeros projetos da UNEP na área de limites dos recursos ambientais e um exército de ONGs.

Nas reuniões de Boston outro aspecto desta nova fase foi explorado: podem as negócios abraçar causas que são diretamente ligadas aos seus negócios e, como conseqüência, mudar radicalmente? A bola da vez e’ a “Campbell's Soup” que decidiu colocar a redução da obesidade em 11 cidades americanas como parte de suas metas empresariais. Este comprometimento devera’ levar a empresa a redesenhar seus produtos de forma radical e todos ganham com isto.

De uma forma ou de outra, aqui estamos no's, outra vez, quebrando a cabeça para mover as empresas a serem motores da transformação que precisamos.

Será’ possível? Temos outra alternativa?

Talvez a única outra saída fosse a educação do consumidor para dar seu dinheiro somente as empresas que contribuíssem de forma clara para a regeneração dos recursos naturais e distribuição de riqueza social. Atualmente esta ainda e’ uma tarefa hercúlea ou impossível, já que para obter resposta a estas duas perguntinhas básicas a empresa precisaria medir o impacto de suas atividades de forma profunda e deveria publicar o resultado destas medidas. E para isto ainda não temos instrumentos...


segunda-feira, 25 de julho de 2011

Nike X adidas: quem descontamina primeiro? Uma competição!

por Nelmara Arbex

DETOX! O Greenpeace lançou em julho uma campanha inteligente: desafiou as duas maiores empresas de assessórios esportivos a competir pela limpeza dos rios da China. Veja um dos videos.

Durante uma investigação recente o Greenpeace conclui que entre os maiores poluidores dos rios e mares da China estão as industrias têxteis e seus fornecedores, e entre elas estão nossas marcas preferidas, como Nike e Adidas.

Claro que este e’ só o comecinho da estória, já’ que a poluição química global e’ desnecessária e assustadora.

Mas para começar uma campanha com as empresas ajudando a encarar este problemão, o Greenpeace desafiou as empresas de materiais esportivos a se engajarem e competirem para parar a poluição tóxica de seus fornecedores na China. E assim também “limpar” os produtos que nos vendem cheio de material tóxico perigoso.

A Nike topou e saiu na frente. Nike! Nike! Nike!

Entre tambem nesta e assine a petição!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Como tomar decisões para um futuro sustentável?




por Nelmara Arbex

Com poucas regras, uma grande festa e dando problemas grandes e concretos para gente empoderada dar um jeito.

Fui `a Malásia, para uma cidade chamada Kota Kinabalu, para a conferência e assembléia do FSC (Forest Stwardship Council) que acontece a cada 3 anos. Depois de umas 14 horas de vôo, 2h de espera e um desembarque num aeroporto na ilha errada, cheguei `a cidade na costa da ilha de Borneo.

A paisagem e’ um sonho. A pobreza fácil de ver. A cidade, na verdade um enorme hotel, foi o cenário de dias de negociações, discussões, noites em claro cheias de trabalho, palestras e uma grande festa cheia de energia. Todos estes foram ingredientes deste fórum que tem muito a ensinar para organizações locais, nacionais e mundiais.

Fui como palestrante para a conferência e observadora da assembléia.

As decisões do FSC são tomadas por 3 câmaras: a econômica, a social e a ambiental. As decisões podem ser sobre novas regras que devem ser respeitadas pelas indústrias que fazem manejo responsável de florestas ou podem ser sobre regiões nas quais o FSC não deveria certificar nenhum tipo de atividade florestal. Nenhuma proposta pode ser aprovada se uma das câmaras votar contra.

As negociações são para que os membros afinem suas propostas e negociem dentro de suas próprias câmaras e depois com as outras . Estas regras simples e bem-boladas geram uma dinâmica impressionante de discussões e negociações que vão `a raiz dos problemas e conseqüências de cada proposta.

Os membros tem 3 meses para apresentar propostas de forma virtual, dois dias de reuniões cara-a-cara para negociações e dois dias para votação. Uma vez em plenário as propostas não podem ser modificadas de nenhuma forma. Os crachás dos votantes tem um código de barra que controla o quorum em tempo real o tempo todo. Mais de 50 propostas foram votadas nos dois dias de assembléia. Ninguém pisca.

Uau!

Quem dera Copenhagen ou o congresso brasileiro fosse dividido em câmaras como estas, refletindo regiões e partidos, mas com foco nas áreas sociais, ambientais e econômicas.

No final uma festança com banda ao vivo e muitas horas dançantes, uma catarse para fazer as pazes com todos. Mais de 500 pessoas super empoderadas celebrando. Uma energia inesquecível.

E o Brasil, com representantes como Suzano, Klabin, Veracel, Imaflora, Amata, WWF, Amigos da Terra, Confederação dos Trabalhadores da Amazônia e Escola de Lutheria, estava bem representado. Brasileiros também estão no Conselho e na direção executiva da entidade.

Hora de trazer esta experiência para casa... no Brasil.


terça-feira, 5 de julho de 2011

Indústria florestal e proteção das florestas: o que você consumidor tem a ver com isto?







por Nelmara Arbex

Em junho estive no Brasil, entre outras coisas, para entender um pouco melhor a indústria florestal do país.

O Brasil planta muita árvore neste momento: para indústria de papel e fibras; para indústria moveleira; planta palmeiras de frutos oleaginosos (palm oil e outras) e outras palmeiras para vários setores; árvores frutíferas também para indústria alimentícia; seringueiras para a indústria de látex; árvores são plantadas como parte de créditos de carbono comprado por empresas nacionais e internacionais (que contratam empresas para plantar árvores para elas como forma de capturar o carbono emitido pelas suas operações - árvores são feitas de matéria a base de carbono, como todos os seres vivos); e para reflorestamento como recuperação de áreas degradadas. De forma bem geral, estas são as principais categorias de plantio de árvores no país.

Atualmente a maioria destas plantações ocorre em áreas que já estavam desmatadas pela agricultura ou em áreas que foram desmatadas de forma ilegal, mas, como não ha’ como reconstruir o eco-sistema destruído, a saída e’ fazer uso comercial da terra que ficou depois da degradação.

As mudas são geneticamente manipuladas ou selecionadas para oferecer alta produtividade. Importante ressaltar que este tipo de plantio para uso comercial de larga escala e’ um negocio de longo prazo. Em todos os casos citados acima – mesmo com melhorias genéticas importantes- o tempo mínimo para corte ou aproveitamento da matéria prima e' de cerca de 5 anos, podendo chegar a 30 anos.

O Brasil também faz “colheita” de árvores, não porque retira frutos ou resinas de árvores em áreas de floresta (como a castanha do para' ou breu branco da indústria alimentícia e cosmética), mas porque corta árvores de florestas para comercialização. Este corte pode acontecer de forma planejada, para afetar o mínimo a floresta e garantir as próximas gerações de árvores, ou pode acontecer de forma “rasa”, quando as madeiras nobres são retiradas sem considerar a preservação do eco-sistema onde estão ou a futura geração das espécies. Esta forma “rasa” de retirar árvores não são sempre ilegais segundo nossa legislação, mas muitas vezes são. E depois da retiradas das árvores “comerciais” o resto e’ queimado para o chão ser utilizado como pasto ou ser então “classificado” como área para agricultura florestal ou de agronegócios.

Claro que em todos os casos, a indústria diz que e’ “o aumento da demanda pelos consumidores do Brasil e do mundo” que motiva os negócios a expandirem mais e mais. Outra vez, nós consumidores somos motivadores de atividades que nem sempre queremos motivar, certo?

Este e' um tema se'rio para o nosso futuro: a escala do nosso consumo e sua relação com a retirada de madeira sem planejamento, que e’ hoje a principal cúmplice de destruição de eco-sistemas a serem protegidos. Ele e' o sinal verde para o quem vem depois com seu negócio florestal ou de monocultura agrícola. E assim vamos “transformando” eco-sistemas importantes em áreas de agricultura “pois não ha’ mais nada a ser feito...”.

Como podemos de verdade proteger as florestas e eco-sistemas que ainda temos?

Será possível proteger as florestas virgens que nós- como poucos povos no mundo - ainda temos,com atividades florestas planejadas?

Será que a retirada planejada e madeira da floresta – como recomendado pelo FSC (Forestry Stwardship Council) pode mesmo ajudar? Ou ao contrário: da' selo de "madeira certificada" a quem esta destruindo, mas o esta fazendo mais lentamente?

Ou temos que – como propõe o Greenpeace – fazer campanha dura pelo desmatamento zero? Por que são eles então co-fundadores do FSC? Por que WWF comemora o manejo florestal no Brasil?

Sera' que relatórios como este - Inventa'rio Florestal Nacional - estão sendo feitos para proteger as florestas ou para vende^-las?

Hum... Melhor sabermos estas respostas rapidamente antes que “nós consumidores” tenhamos acabado com tudo...

Estas perguntas tem me levado a conversas importantes sobre os modelos de negócios sustentáveis sendo gerados hoje, em parte, para responder estas perguntas.

PS: Também me levaram `a conferencia do FSC na Malásia, que será o tema da próxima postagem.

sábado, 25 de junho de 2011

1 de julho ! E’ o prazo para você dizer que energia você quer ter!



por Nelmara Arbex

Se não falarmos nada nosso dinheiro vai ser investido em mais energia poluente!

Em matéria de hoje no site do Estadão estão comentários sobre o Plano Decenal de Energia Elétrica (veja texto integral neste link) que está aberto para consulta pública ate' o dia 01 de julho.

Nesta matéria, Renne Pereira, explica que usinas como Belo Monte mudarão o funcionamento de outras usinas. Por exemplo, as usinas do sul e sudeste deverão economizar mais água para suprir o funcionamento que Belo Monte não conseguirá suprir na época de seca no Norte. E que os lagos das hidroelétricas ficarão mais secos que o normal depois de Belo Monte.

Pensei a mesma coisa que você deve estar pensando agora...: “ Depois de tanta polêmica e problemas, a usina de Belo Monte ainda vai causar outros problemas de energia?!”

Mas a parte mais interessante do artigo ainda está por vir. Ele diz que “especialistas”, como o consultor Jose Rosenblatt, dizem que a matriz de energia brasileira terá que ser completada com energia térmica para ficar mais robusta. Sabe o leitor o que significa “energia térmica” neste caso? Significa energia gerada por gás, diesel, carvão ou nuclear. Nada de energia verde ou limpa. Ele esta’ sugerindo usar formas de gerar energia como nos anos 50!

Quem será que pagam estes consultores?

Porque eles não usam seus talentos para fazerem as contas de quanta energia limpa precisamos gerar para não depender mais da suja?

Não deixe este papo passar a limpo! Informe-se! Envie emails! Vamos pedir mais energia eólica
, solar, das marés e tudo o mais que pudermos investir – do nosso suado dinheiro- em
gerar energia limpa!

Diz o documento oficial:

Art. 2o As contribuições dos agentes interessados para o aprimoramento da proposta, de

que trata o art. 1o, serão recebidas pelo Ministério de Minas e Energia até o dia 1o de julho de 2011, por meio do correio eletrônico pde2020@mme.gov.br ou para o endereço: PDE 2020 Consulta Pública - SPE/MME - Esplanada dos Ministérios, Bloco “U”, 5o andar, CEP 70065-900, Brasília-DF.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Bin Laden & Obama: por uma vida melhor?


por Nelmara Arbex

As semanas passadas foram povoadas pelas notícias da invasão do refúgio de Osama Bin Laden no Paquistão e seu assassinato. A decisão final de como a ação deveria ser implementada foi tomada por Barak Obama, presidente dos Estados Unidos, prêmio Nobel da Paz.

Ha’ vários fatores inquietantes nesta história: uma nação planeja e comanda uma ação violenta no território de outra, um criminoso e’ assassinado sem julgamento e um ganhador do prêmio Nobel da Paz lidera uma operação militar com vários mortos.

Bin Laden e Obama acabam tendo algo em comum: o desrespeito`a vida e`a convivência pacífica. E talvez também o poder de disseminar ódio e medo. Todos os pensadores e analistas são unânimes neste ponto: haverá mais reações violentas. E o sentimento de ódio contra os norte-americanos vai crescer em certas partes do mundo.

Definitivamente, um mundo mais violento não e’ o que eu desejo. E a idéia de revanche internacional me parece que pouco ajuda para a colaboração dos povos por uma vida melhor para todos.

Podem estas ações evitar futuras mortes violentas? Podem ensinar as próximas gerações como conviver pacificamente? Ou como colaborar para melhorar a qualidade de vida de todos?

O que você acha?


terça-feira, 10 de maio de 2011

Presidente do Japão abre mão do salário!



por Nelmara Arbex

Eu não elejo heróis facilmente, mas sinto que se ha' algue'm para chamar de herói no momento e’ o primeiro ministro do Japão, Naoto Kan. Ele acaba de anunciar que abre mão de seu salário ate’ que o país tenha superado a crise que se abriu com os acidentes nucleares, depois que o Tsunami atingiu aquele país. O salário dele e’ de cerca de 20.200 dolares por mês.

Ele ainda disse que vai mudar radicalmente a política energética do país e planejar fontes de energia renováveis.

Os recente acidentes nucleares foram classificados como “pior possível acidente” (GAU level) na escala internacional de possíveis catástrofes nucleares. Uma região enorme do país permanecera' evacuada por centenas de anos.

Imagina se a moda pega e uma febre japonesa de responsabilidade e honra tomasse conta de nossos governantes municipais, estaduais e federais? Ou de nosso administradores públicos de hospitais, escolas, etc.?

Uau!

Outra lição diretamente do Japão, depois de ensinar que :
1. não ha’ energia nuclear segura, nem que o controle de qualidade seja japonês
2. que temos que encarar com honra e humildade os desafios que temos que enfrentar, e pensar no futuro que pode ser reconstruído melhor do que era antes

E finalmente:

3. Governantes podem e devem demonstrar que entendem sua responsabilidade quando sua gestão falha em proteger os direitos dos cidadãos.

Nada mal, hein?

Infelizmente são catástrofes e suas reações que nos lembram quanto de responsabilidade estes lideres realmente carregam sobre a definição do nosso futuro comum.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Videozinho de Harvard para a sua Pascoa!





por Nelmara Arbex

Passei mais uma semana envolvida em discussões e planos sobre: o futuro das medidas dos impactos dos negócios O que medir, como e para que?

Tema antigo e cheio de armadilhas. De fato sabemos que empresas são as mais transparentes das organizações ja' criadas, apesar de todas as críticas. Mas apesar de medirem muito, não monitoram necessariamente os aspectos mais críticos de suas operações, e/ou não usam os dados que tem para tomar decisões criticas nos negócios. Nem nos cidadãos os usamos.

O que fazer?

Ajudaria se transformássemos todos os impactos – como a poluição ou o desaparecimento de uma espécie – em um valor financeiro?

Hum... depende. Esta é uma forma muito prática mas muito restrita. Combina com nosso jeito de pensar e como nossa cabeça funciona, mas na verdade tem limitações sérias que precisam ser cuidadosamente analisadas.
Sobre estes pontos falei no final do ano passado aos estudantes de Harvard, que gravaram parte do papo num video curtinho. Se quiser saber mais de uma olhada neste link.

Saio de ferias por duas semanas. Se ficar com saudades, de uma olhada neste videozinho, que tem la' a sua graça...ahahah!


Boa Pascoa!