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terça-feira, 10 de maio de 2011

Presidente do Japão abre mão do salário!



por Nelmara Arbex

Eu não elejo heróis facilmente, mas sinto que se ha' algue'm para chamar de herói no momento e’ o primeiro ministro do Japão, Naoto Kan. Ele acaba de anunciar que abre mão de seu salário ate’ que o país tenha superado a crise que se abriu com os acidentes nucleares, depois que o Tsunami atingiu aquele país. O salário dele e’ de cerca de 20.200 dolares por mês.

Ele ainda disse que vai mudar radicalmente a política energética do país e planejar fontes de energia renováveis.

Os recente acidentes nucleares foram classificados como “pior possível acidente” (GAU level) na escala internacional de possíveis catástrofes nucleares. Uma região enorme do país permanecera' evacuada por centenas de anos.

Imagina se a moda pega e uma febre japonesa de responsabilidade e honra tomasse conta de nossos governantes municipais, estaduais e federais? Ou de nosso administradores públicos de hospitais, escolas, etc.?

Uau!

Outra lição diretamente do Japão, depois de ensinar que :
1. não ha’ energia nuclear segura, nem que o controle de qualidade seja japonês
2. que temos que encarar com honra e humildade os desafios que temos que enfrentar, e pensar no futuro que pode ser reconstruído melhor do que era antes

E finalmente:

3. Governantes podem e devem demonstrar que entendem sua responsabilidade quando sua gestão falha em proteger os direitos dos cidadãos.

Nada mal, hein?

Infelizmente são catástrofes e suas reações que nos lembram quanto de responsabilidade estes lideres realmente carregam sobre a definição do nosso futuro comum.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Brasil: preparado para fazer 55 Angras e evacuar por uns 250 anos?

foto: explosão em Fukushima, Japão

por Nelmara Arbex

O Brasil esta planejando 55 novas usinas nucleares, segundo a Petição Pública publicada ontem. O que voce acha disto? O mundo acha que estamos loucos.

Ha' dois dias, a respeitada revista “Der Spiegel”, onde vários partidários da energia nuclear trabalham como analistas e editores, anunciou ontem em sua edição especial que “Fukushima marca o fim da era nuclear”.

A primeira matéria de uma seqüência que explica como os acontecimentos no Japão fizeram o governo alemão rever rapidamente sua política de permissão de funcionamento de suas usinas nucleares, iniciando assim uma discussão que levara' ao fechamento de várias usinas em funcionamento. Ja' ontem, 15 de marco, a Alemanha anunciou que sete usinas estao sendo fechadas, aquelas que foram inauguradas antes de 1980. (Qual e’ mesmo a idade da alemazinha “Angra”? Isto mesmo, e’ ainda um pouco mais velha.)

A decisão do governo alemão foi tomada rapidamente, abalados pelo desamparo que o Japão demonstra diante das catástrofes nucleares ocorridas, num país considerado excelência em segurança. E claro que a opinião pública e a proximidade de eleições contam, mas os infinitos e profundos debates na TV demonstram a seriedade do tema num país onde 17 usinas geravam 25% da energia do país.

O efeito domino’ que esta política causara' em toda a Europa e’ ainda difícil de imaginar, mas as dúvidas em medidas de seguranças são tão grandes que são suficientes para a revista anunciar "o fim da era nuclear", tamanho o desastre que mesmo as usinas mais seguras podem causar.

E no Brasil? "Nem pensar!" Como declarou o governo ontem.

No Brasil vamos orar a todos os santos que protejam Angra. Pois, claro, estamos super preparados para evacuar a região de Angra a qualquer momento e abandonar a área por uns 250 anos... sem problemas... Venhamos e convenhamos, precisamos tanto desta energia que o risco vale a pena. Vamos manter todas funcionando a todo vapor, certo?

Mais do que isto, estamos planejando 55 novas usinas!

Difícil expressar minha opinião diante de tanta irresponsabilidade das autoridades brasileiras. Este e’ um risco de dimensões inimagináveis. Não e’ como devastar uma floresta, ou destruir rios e ecossistemas inteiros, e’ muitíssimo maior que isto.

Vou assinar a Petição Pública e tudo o mais que puder fazer contra esta irresponsabilidade sem tamanho. Saiba mais sobre campanhas no Brasil - aqui.


terça-feira, 9 de novembro de 2010

Lixo nuclear: e se fosse herança do império romano?


por Nelmara Arbex


Acabou hoje. 92 horas de manifestação ininterrupta, cerca de 5000 velhos, jovens e crianças com colchões, comida e tudo. Em volta deles se revezam 20 mil policiais. Pelos trilhos do trem entre eles se aproximam 123 toneladas de material altamente radioativo, que ficara' guardado nos próximos 100 a 10000 anos em túneis profundos perto da cidadezinha de Gorleben na Alemanha. Um armazém provisório. Não ha' armazém definitivo.

O carregamento vem da França onde foi tratado e embalado para ser guardado, como manda a legislação internacional. Os manifestantes sabem que não podem devolver o lixo, que e’ deles. Se trata de atrasar o transporte e chamar atenção de todos para mais um carregamento recorde de contaminação. O custo do transporte chegou a 50 milhões de euros.
São 12 mil toneladas de lixo atômico produzidos por ano mundialmente. Não ha' o que fazer com ele. Ha' propostas de guardarmos este lixo na Antártida, ha' também a idéia de enviar tudo para o sol. Alguns elementos demoram 24mil anos para serem totalmente neutralizados, como o Plutônio. A parte mais leve precisa de cerca de 2mil anos. Este e' o tempo necessário de armazenamento. Se energia nuclear tivesse sido utilizada na época do império romano, somente em nossos tempos o lixo estaria parcialmente descontaminado. Este e’ o legado do nosso tempo `as próximas gerações.
O banco PNB Paribas esta’ também no foco das campanhas como um financiador de energia nuclear, inclusive no Brasil, onde a tecnologia que o Brasil tem direito a usar e’ considerada ultrapassada e perigosa.
Pode imaginar a nossa precária situação se os romanos tivessem desenvolvido esta tecnologia dois mil anos atrás? Que sorte a nossa que não conseguiram e não contaminaram todo o planeta! Os próximos habitantes do planeta já não terão tanta sorte.

E aí ? Vai energia atômica aí meu povo?