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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A Amazonia e a chance perdida por Delfim Netto!


por Nelmara Arbex

Fiquei bastante mal impressionada com a coluna do Delfim Netto na Carta Capital do ultimo 25 de agosto intitulada “Mais uma indecência”. Na coluna o normalmente bem-informado Delfim Netto questiona a conexão ente desmatamento e mudança climática (fazendo coro com os lobistas petroleiros norte-americanos), acusa ONGs brasileiras de estarem defendendo a desnacionalização da Amazonia por denunciarem o desmatamento e tenta defender a tese de que o Brasil não e’ um grande devastador usando dados da cobertura florestal a 8 mil anos (!) atrás. Você vai poder ler uma resposta dada a este artigo por Roberto Waack no site Sustentabilidade Com Pimenta ainda esta semana.

Sobre o mesmo tema, dei de cara na ultima sexta com a capa da The Economist com uma enorme arara super-colorida voando sobre a Amazonia. O título da matéria era “ O pulmão do mundo – como salvar as florestas”- uma reportagem especial de 14 paginas. Um dos textos dedicado ao Brasil se chama “Menos fumaça – Brasil, o maior devastador de florestas do planeta esta mudando seu rumo”. Os jornalistas apresentam os dados da devastação, os esforços para redução do desmatamento, mas concluem “IBAMA tem apenas 6 helicópteros, e apesar das multas que foram amplamente distribuídas aos desmatadores, menos de 10% as pagaram. Diante desta impunidade por que não devastar?”.

A matéria trata ainda do fato de que “para a devastação já não e’ mais papo de estrangeiros- são os cientistas brasileiros que agora já tem dados para dizer que a floresta esta no seu limite” e que 40% das emissões de carbono brasileiras vem da devastação e queima.

E termina “ Se os lideres brasileiros escolhem limpar o caminho para a proteção das florestas, eles não estarão fazendo somente um favor ao mundo mas também poderiam trazer benefícios imensos para a própria economia do pais”.

Terminei a leitura pensando que um economista do calibre do Dr. Delfim Netto tinha perdido uma grande chance. Ele poderia dedicar sua coluna a fazer uma analise dos benefícios que a economia do país terá se tiver uma política futurista para o desenvolvimento sustentável da Amazonia. Mas, esta ele perdeu... deixou para a "The Economist" bater esta bola.

Uma pena...


sábado, 28 de agosto de 2010

Eleicoes: Faltam os temas cabeludos da area ambiental!


por Nelmara Arbex

Nem a presenca de Marina Silva esta servindo para fazer uma discussao publica do quanto nosso presente e futuro dependem de politicas ambientais e planejamento do desenvolvimento rural/florestal/urbano. Na minha opiniao o tema esta sem foco estrategico, sem pimenta e sem "um pensar grande". E o tema e' critico, mesmo que nao falem dele.

Para comecar, de uma olhada no site ECOA que apresentou um pequeno resumo do que os candidatos falaram sobre as questoes ambientais quando abordados pelos jornalistas do Jornal Nacional entre os dias 10 e 12 de agosto. Ou va ao site "Noticias Agricolas" para um resumo ddas propostas dos principais candidatos na area ambiental. De uma olhada no papo fraco, fraquissimo para a importancia estrategica que o tem e tera' no Brasil nos proximos anos.

No dia 15 Marina Silva foi ao Forum Amazonia Sustentavel e mencionou a falta de politicas estrategicas nesta area e criticou o projeto de Belo Monte. Fala-se da preservacao da floresta, ou de mudancas climaticas, como se fosse algo que nao esta ligado ao nosso cotidiano de frota semi-movida a diesel, gas natural e gasolina, nem de queimadas...

Na minha humilde inquietacao fico pensando em questoes bem mais cabeludas:

Que tal discutirmos se deveria o Brasil continuar a planejar a exploracao do petroleo na regiao do pre-sal, a 7000 metros de profundidade, onde nenhum equipamento podera ser consertado por causa da altissima pressao? So para lembrar que esta em risco o litoral de Santa catarina ao Espirito Santo, num pais onde 80% de sua populacao vive a 200 km da costa.
Tudo isto para o Brasil ser auto-suficiente em petroleo. Queremos ser auto-suficientes em Petroleo?
Ou queremos usar os impostos para investirmos em outro tipo de energia limpa?

Queremos que a Petrobras capte recursos com investidores internacionais para o pre-sal ou para um mega projeto educacional para contruir no pais grandes centros de aprendizado tecnico formando a nova geracao planetaria de especialistas em producao de energia limpa, possibilitando uma grande virada nesta area? E na area da educacao brasileira?

Queremos mais energia nuclear? Ou menos? O que vamos fazer com o lixo atomico?

Ou que tal comecarmos a falar sobre quanto territorio queremos planejar para o crescimento urbano, para plantacoes rurais e para florestas? Ou podemos deixar nossos centros urbanos crescerem como Sao Paulo, que traga agua desde 300 km de distancia para poder existir? Ou podemos desmatar para plantar graos se os precos forem bons? Vamos destruir biomas se pagarem bem?

Por que o Delfim Netto acha "uma indecencia" dizer que o Brasil e' o maior devastador de florestas da atualidade? (Leia na revista Carta Capital - 25 agosto 2010) Somos? Nao somos? Podemos continuar como estamos?

Ou ainda - quanto de produtos agricola vamos seguir exportando, junto com o uso intensivo da agua que esta embutida nesses processos produtivos? Quais impactos ambientais devemos gerenciar se conctinuamos a fazer isto? e se aumentarmos o plantio de sementes geneticamente manipuladas?

Vamos discutir qual conhecimento tecnico o Brasil deve adquirir nos proximos 5-10 anos para podermos estarmos preparados para um futuro - do pais e do planeta - que precisara de inovacoes e novas tecnologias ambientais? Quantos tecnicos(as) devemos formar nestas novas area? Podemos planejar para isto?

Podemos planejar ter agua potavel e saneamento basico para todos os brasileiros? Pra quando?

Pois e'... nesta minha fantasia... temas grandes e quentes nao faltam para serem discutidos.



ps1: o Diario de Natal do dia 30 de agosto considerar que o tema nunca esteve tao popular como nesta eleicao.

ps2: Em agosto SOS Mata Atlantica lancou para debate com os candidatos uma plataforma de propostas de protecao aos principais biomas.