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domingo, 21 de novembro de 2010

Qual seria a sua dica para esta família?




por Nelmara Arbex

Um amigo me perguntou o que eu recomendaria a uma família de classe média de uma cidade grande para mudar em seus hábitos e contribuir de forma significativa para redução da destruição ambiental. Deveria ser algo não tão difícil para fazer, mas que tivesse a maior chance de redução de impacto ambiental negativo.

Achei a pergunta difícil, fiquei imaginando se me perguntassem isto em público o que eu responderia.

E gostei da pergunta porque acho, como ele, que ninguém esta' a favor da destruição ambiental (*), mas que em geral não sabemos o que fazer para ter impacto significativo, sem mudar a vida que temos de forma radical em curto prazo. Ninguém se ajusta a mudanças radicais facilmente, nem quando elas são super positivas.

Pensei e cheguei a algumas conclusões muito óbvias, necessárias, mas muito genéricas, como por exemplo “consuma menos”, ou “deixe o carro em casa e vá de ônibus ou metro”, “consuma pouca água”. Apesar de tudo isto ir ao coração da questão, acho que o maior desafio seria dar uma dica que respondesse: o que se poderia fazer diariamente, que fosse relativamente simples, sem inviabilizar a vida mais ou menos como ela e', e que traria o maior impacto positivo.

Qual seria a sua dica?

Mais sobre minhas descobertas na próxima postagem.


(*)pensava que ninguém poderia imaginar destruir a natureza ate' eu descobrir que ha' grupos organizados de cidadãos americanos “pelo direito de destruir o planeta”... um deles se chama “drill baby drill” ... mas esta e' uma outra história. Ja' pensou se a moda ignorantepega?


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Filminho para acordar candidatos: agronegócios, direitos humanos, desmatamento



por Nelmara Arbex

A TV alemã começou uma semana de documentários sobre a questão da produção de alimentos e sobre a fome. (Se quiserem saber mais, me escrevam.)

O filme de hoje “Hunger” (Fome) passa pelo Kenia – onde comunidades estão morrendo de fome porque os grandes produtores rurais desviam os leitos dos rios para irrigar campos de flores para exportação; pela Índia – onde os agricultores que plantam algodão transgênico comentem suicídio frente ao desespero da fome que inesperadamente os assola; pelo Haiti – onde a população não sabe ou não quer mais plantar nada e morre faminta ao redor de cidades sujas e paupérrimas; e claro, pelo Brasil.

Quando chega no Brasil o documentário visita enormes campos amazônicos recém saqueados pela retirada de madeira ilegal, depois os transformados em pasto, depois passa por iiiiimmmmeeeensssaaas plantações de soja e grãos. Quem tem duvida se o desmatamento esta avançando sobre a floresta –como eu tinha- vai se convencer depois destas cenas singelas.E de helicóptero localizam facilmente 600 hectares de floresta que recém viraram plantações, entre vários outros desmatamentos ilegais facílimos de ver.

O documentário entrevista ainda pequenos produtores locais amazônicos sendo escorraçados pelas grandes empresas agrícolas e coleta denuncias de assassinatos nas grandes plantações do Mato Grosso. Ainda entrevista o prefeito de Sorriso, que não tem duvida de que “o meio-ambiente esta ai' para servir o homem, que claro e’ soberano”.

Tudo ali na cara do telespectador. Nada de exageros. Tudo simplesmente mostrado. De fácil acesso. Qualquer cidadão poderia perguntar o que eles perguntaram. Qualquer candidato também.

E sabemos disto tudo, não e’ mesmo? O que podemos fazer para que o Brasil não seja esta imagem do pouco caso? O que planejam fazer os candidatos? E pensar que temas como estes foram um dia bandeiras do Partido dos Trabalhadores... me lembro muito bem.

As recentemente publicadas declarações de Dilma sobre “tolerancia zero com desmatador”, cheio de palavras fáceis e soluções rápidas não me convencem. Esta e’ uma situação gravíssima, sem solução fácil, mas que precisa ser urgentemente discutida e enfrentada.

Mas ainda não ouvi Serra falar sobre isto. Acho que foi corajoso quando quebrou a patente dos remédios para AIDS e conseguimos distribuir quase gratuitamente os medicamentos a pacientes brasileiros, com fabricação própria. Seria genial usar esta coragem para enfrentar os dilemas da área do desenvolvimento/grandes empresas X florestas X pequenos produtores. Mas parece que ele ainda esta precisando de uma bussola para acertar o rumo...

Um dia os desesperados pela miséria e pela fome (miséria definida em termos de falta de educação ou perspectivas) vão migrar e avançar sobre as populações mais ricas, e nada vai para’-los porque eles não tem mais nada a perder. Não acho que estamos longe deste momento. E’ preciso fazer algo para que isto não continue”. Assim termina o documentário, com as palavras da impressionante Suman Sahai – especialista na relação entre tecnologia genética e fome, que aparece na foto acima.